A
presidente Dilma Rousseff voltou a criticar nesta segunda-feira (5) as
políticas expansionistas adotadas por países desenvolvidos para aquecer suas
respectivas economias, sobre as quais deverá discutir hoje com a premiê da
Alemanha, Angela Merkel. Para a presidente, que chegou neste domingo a
Hannover, na Alemanha, a injeção de capital desses países no mercado
financeiro, estimada em US$ 8,8 trilhões (R$ 23,7 trilhões), equivale a uma
"barreira tarifária", por produzir desvalorização artificial das moedas.
Dilma disse que o governo estuda novas medidas para proteger a economia
brasileira da guerra cambial, depois do aumento recente do IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras). Mas negou que seja favorável a uma
"quarentena", medida em discussão no governo que imporia um tempo
mínimo de permanência do capital estrangeiro no país, sujeito a sobretaxas. "Não
estou defendendo quarentena, isso é uma temeridade. Tem dó", irritou-se a
presidente ao ser questionada sobre a medida, considerada uma das mais
drásticas para lidar com a valorização do real. "Somos uma economia
soberana. Tomaremos todas as medidas para nos proteger. Vamos ver quais
medidas, como essa que tomamos recentemente sobre o IOF", afirmou. Continuando
sua crítica ao protecionismo cambial dos países ricos, Dilma disse que "as
políticas monetárias expansionistas desses países produzem um efeito
extremamente nocivo, porque desvalorizam de forma artificial as moedas". Na
quinta-feira (1º), o governo decidiu taxar em
6% os empréstimos feitos no exterior que tenham prazo inferior a três anos. O
objetivo da medida é desestimular a entrada de capital de curto prazo no país e
com isso segurar a valorização do real. A desvalorização do dólar, segundo o
governo, é ruim para economia brasileira pois diminuiu a competitividade das
empresas brasileiras fazendo com que as exportações fiquem mais caras e os
produtos importados que entram no país fiquem mais baratos gerando uma
"competição desleal".
ASSESSOR
DESAUTORIZADO
Dilma
desautorizou o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que na
véspera havia indicado que o Banco Central irá anunciar nova queda da taxa
básica de juros esta semana na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) "No
meu governo, é o BC, Alexandre Tombini, nem eu nem ninguém tem autorização para
falar sobre juros", disse a presidente em Hannover, na Alemanha. Na
chegada a Hannover, no domingo à noite, Marco Aurélio Garcia havia dito que
haverá "uma queda moderada" nos juros. "Esse caminho já está definido, e com sucesso, porque não
estamos tendo inflação", disse Garcia. Depois de participar da cerimônia
de abertura da Feira Internacional de Tecnologia de Informação,
Telecomunicações, Software e Serviços (Cebit), a presidente Dilma jantará com a
chanceler Merkel, com quem pretende abordar a crise cambial e a crise na
Europa. Na última semana, a Dilma criticou as políticas expansionistas dos
países desenvolvidos e chamou a injeção de capital na zona do euro de
"tsunami monetário". Na quarta-feira, o BCE (Banco Central Europeu)
injetou 530 bilhões de euros (R$ 1,2 trilhão) no sistema financeiro da zona do
euro, numa tentativa de estimular a economia da região. Durante a conversa que
teve com jornalistas brasileiros no Hotel Luisenhof, onde está hospedada, Dilma
sofreu um pequeno incidente: uma barra de ferro caiu no seu pé, e ela fez uma
expressão de dor. "Vou mancar até amanhã", disse Dilma. (Folha)

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